Baseados Em Hits Reais - Histórias De Sucessos Inesquecíveis Contadas Por Artistas Esquecidos

É possível que toda pessoa, durante sua fase de infância e início de adolescência, tenha sonhado, ou até mesmo cogitado a respeito da ideia de, um dia, ser um popstar, quiçá, um rockstar. E os motivos para que esse mundo faça os olhos brilharem podem ser inúmeros. 

Viagens pelo mundo. Shows lotados. Adoração incondicional. Isso sem falar na presença assídua em hotéis de luxo, restaurantes glamourosos, vida noturna vibrante e ininterrupto, além de sempre estar nas melhores companhias, o que quer dizer, a nata da cultura pop. Fechando essa conta, claro, está a conta no banco. Gorda, maciça. Quase infinita. 

Por incrível que pareça, isso não é uma lei inquebrantável do showbusiness. Especialmente em relação àqueles artistas rotulados como “one hit wonders” ou, no português literal, “maravilhas de um único sucesso”. E olha que exemplos para isso não faltam. 

É justamente sobre eles que Baseados Em Hits Reais - Histórias De Sucessos Inesquecíveis Contadas Por Artistas Esquecidos, livro de estreia do jornalista Braulio Lorentz, trata. Mas, calma, pode parecer que não, mas muitas das histórias ali presentes precisam de um certo estômago para serem digeridas. 

São 41 histórias oriundas de 41 artistas e bandas que, provavelmente, o leitor já até esqueceu. É aí que mora a magia do livro. Ele desperta o estado de uma nostalgia reconfortante no leitor ao trazer de volta nomes que marcaram uma determinada fase da vida. É um perfeito túnel do tempo. E como todo túnel do tempo, nem tudo é aromaticamente floral. 

Dentre as histórias, que abrangem nomes que vão dos brasileiros Vinny e Kelly Key a internacionais como Jojo e Counting Crows, o leitor se depara com intrigas, remorsos, reflexões densas, ressentimentos e, claro, aquele pensamento que sempre deve bater na cabeça de alguém que “chegou lá”: faria algo diferente?. 

Pois bem, muita coisa ao longo de suas 207 páginas simplesmente surpreendem o leitor no sentido mais léxico da palavra. Que tal começar por canções que deram mais certo em versões covers do que em seu formato original? Ou, quem sabe, lidar com a ideia de deletar determinada música da track list de um álbum e, depois, se deparar com o fato de que aquele mesmo título foi o maior hit de sua carreira? Isso a gente vê por aqui! 

Claro que existem histórias sombrias - e quando menciono a palavra “sombria”, quero dizer sombria de verdade. Afinal, o leitor também irá mergulhar nos relatos mais dolorosos e sinceros de artistas que enfrentaram seus próprios demônios por conta do próprio sucesso. 

A solidão, a ausência do senso de pertencimento, a angústia, o medo. A pressão. Essa é, talvez, a experiência unânime entre todos os artistas presentes. Seja por parte dos produtores ou das gravadoras, todas as bandas foram forçadas a, de alguma forma, criar algo tão forte quanto aquela música que lhes rendeu belos milhões de dólares. 

Um ponto interessante que merece atenção pelo lado sensível de Lorentz é a elaboração de perguntas que, em muitos casos, foram tidas pelos próprios artistas entrevistados como inéditas, certamente alimentando o ego do jornalista. De fato, elas cooperaram para uma amplitude ainda maior da rotina, do comportamento e da percepção de como a mente de cada indivíduo presente no livro funciona. 

Nesse aspecto, o leitor descobre o que, então, essas bandas e cantores que, um dia, chegaram ao apogeu do mundo da música, fazem hoje em dia. São vários os caminhos. Tem gente que foi para o lado social. Outros para o lado da pesquisa. Tem aquele que continua na banda e está feliz com o lugar que ela ocupa. Mas também tem o caso daqueles que continuaram na área musical, mas atuando na área da produção e composição, formando parcerias com nomes que, hoje, são tão grandes quanto o que o deles foi um dia. 

De texto corrido, que não cansa e que pode ser devorado em uma tarde, o livro oferece um apetite insaciável à melancolia e à nostalgia, isso porque ele oferece uma playlists com todos os sucessos nele relatados. Claro que há raros, mas existentes, casos em que a edição textual cometeu alguns escorregões, mas em nada eles interferem na coesão do que está sendo narrado a cada linha, parágrafo, página ou capítulo. 

O triste é que, após a leitura da última palavra, é como se o leitor fosse obrigado a sair de sua máquina do tempo e voltar a conviver com sua realidade. Porém, pela proposta do livro, ela dá brecha para que Baseados Em Hits Reais - Histórias De Sucessos Inesquecíveis Contadas Por Artistas Esquecidos tenha várias outras edições. Afinal, sugestões de "one hit wonders" é o que não faltam.