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O suicídio é a 4ª maior causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos no Brasil

Larissa, nome fictício, sempre ameaçava. Não recebeu, porém, a devida atenção. Por fim, a primeira tentativa aconteceu quando ainda adolescente, sem sucesso. Os anos passaram e a ideia voltou a ficar forte. Se afastou da família, mas manteve os laços com a religião. Porém, aos 36 anos, a uma semana de seu aniversário, veio o óbito.

Diferente foi o caso de Jonas, nome também fictício. Ele pensou. Pensou várias vezes no assunto. Não se separou da família ou se excluiu, mas ainda assim imaginou e quase planejou como seria. Verdade seja dita, nunca chegou às vias de fato, mas se mutilou inúmeras vezes. Na época, ele tinha apenas 19 anos. Atualmente está são. Nunca mais cogitou a respeito.

Jonas e Larissa integram uma realidade preocupante no país hoje, a qual entenderemos adiante. O primeiro, contudo, é um exemplo entre os muitos jovens brasileiros que atravessam questões delicadas na adolescência. E o suicídio é uma delas. De acordo com levantamento do sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, em 15 anos, a respectiva causa de morte aumentou 65% entre jovens de 10 a 14 anos e 45% entre pessoas de 15 a 19 anos no Brasil. Mais atual ainda é saber que, em 2018, o Ministério da Saúde considerou o tipo de óbito como o quarto maior desfecho entre jovens de 15 a 29 anos. “São faixas de idade relacionadas a pessoas mais vulneráveis a aspectos da nossa cultura. Quando não dão mais conta da pressão social, tentam o ato”, explica o antropólogo e psicanalista Eduardo Benzatti.


Ilustração: Catraca LivreO suicídio por imitação, também conhecido como Efeito Werther, termo cunhado após a publicação do livro de Johan Wolfgang von Goethe chamado Os Sofrimentos do Jovem Werther, em 1774, traduz bem a questão da vulnerabilidade. Após o lançamento da obra, foi observada uma série de casos de suicídio realizada de forma idêntica àquela feita pelo protagonista. “O Efeito Werther se deu em uma época na qual o romantismo dominava as narrativas. E Goethe, com seu personagem, traduziu o espírito do período ao fazer um retrato da subjetividade de seu tempo”, comentou o especialista Paulo Gleich.

Mais de dois séculos depois, o romantismo que Goethe depositou no tema ainda existe, mas agora a grande massa o depositou nos atos das celebridades, vista influência que exercem sobre a comunidade. Ainda segundo Gleich, isso acontece simplesmente porque os famosos representam nossos ideais de relacionamento, vida e carreira, criando assim uma identificação. Com isso, o Efeito Werther continua ocorrendo na sociedade.

Como prova dessa continuação estão diversos casos de celebridades que morreram por suicídio e influenciaram pessoas a fazerem o mesmo. Do mundo da música, como primeiro exemplo, está o ex-vocalista e guitarrista do grupo grunge estadunidense Nirvana, Kurt Cobain, morto em 1994. Após o óbito, um fã de 28 anos que estava no funeral do astro cometeu o mesmo ato.

Outro exemplar, de certa forma indireto, está Ozzy Osboue e sua música Suicide Solution, lançada em 1980 como integrante de Blizzard Of Ozz, o disco solo de estreia do músico. Em 1984, a canção teria inspirado um jovem de 19 anos a morrer por suicídio e, por consequência disso, Osboue e o selo CBS Records foram acusados de incitar, de forma subliminar, o suicídio. Posteriormente, ambos foram absolvidos.

Há ainda o exemplo recente envolvendo o ex-frontman do Soundgarden e Audioslave, Chris Coell, e do ex-frontman do Linkin Park, Chester Bennington. O evento envolvendo as duas personalidades teve duração de dois meses. Coell morreu por suicídio e, em seguida, Bennington faleceu se valendo de método idêntico. É certo que a presente ocasião envolve duas pessoas públicas, mas ela ilustra bem o Efeito Werther e a questão do contágio, coisas que podem acontecer com qualquer indivíduo que apresente certa admiração por esta ou aquela persona, seja ela midiática ou não. “Quando a pessoa idealizada se mata, é como se a outra parte – aquela que lhe depositava afeição – se perdesse de si, do sentido da vida”, comenta a psicóloga clínica Natália de Almeida Pinheiro Goulart.

Já do universo cinematográfico existe o exemplo do ator Robin Williams que, de acordo com levantamento da revista científica PLOS One, após sua morte em 2014, houve um aumento de 10% nos casos de óbito por suicídio. Nessa ocasião, porém, não houve a reprodução idêntica do método, apenas o aumento de eventos. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o suicídio é algo eminentemente contagioso. Em contrapartida, porém, o profissional defende, em seu livro chamado O Suicídio, que o indivíduo só segue aquilo que tem afinidade. “As pessoas facilmente influenciáveis inclinam-se, em especial, a repetir um ato para o qual já têm alguma tendência”, explica.

O que esse cenário mostra, por outro lado, é certa curiosidade mórbida presente nas pessoas quando o assunto é o suicídio ou simplesmente a infelicidade alheia. Basta observar que, quando há um acidente em rodovias e marginais, o trânsito acontece motivado por uma vontade dos motoristas em ver o ocorrido. No entanto, é na questão suicidógena que a intromissão é latente. Para o especialista Paulo Gleich, o fascínio é maior quando o assunto é suicídio não só por ainda ser um assunto tabu, mas por ser uma morte executada pelo próprio sujeito. Na mesma linha está o especialista Pedro Ferreira, que também acredita que, por ser um assunto pouco falado, pode causar fervor. “Provavelmente todo ser humano já pensou sobre o assunto, que ao mesmo tempo possui forte característica de tabu. Por este motivo, suponho que exista esta curiosidade”, explica.

Indiretamente, são essas as questões que fazem o Efeito Werther ser constantemente abordado quando o assunto é o suicídio. No entanto, existe também um termo que vai à contramão desse conceito. Chamado de Efeito Papageno, ele teve nascimento na obra musical A Flauta Mágica, do compositor clássico Woflgang Amadeus Mozart, e determina que é possível fazer com que a pessoa mude de ideia.

Foi justamente o que aconteceu na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), em São Paulo (SP), no dia 17/03/19. Um jovem estava em processo de morrência quando foi abordado por um funcionário da empresa, o qual iniciou uma conversa e o convenceu a mudar de ideia.

Visto esse evento, fica clara a complexidade acerca do tema. De acordo com um levantamento ainda mais aprofundado no assunto, feito pelo Ministério da Saúde em 2018, foi constatado que as tentativas por intoxicação exógena aumentaram cinco vezes em 10 anos no Brasil, saindo de 7.735 casos em 2007 para 36.279 em 2017. E é a região sudeste quem puxa a fila de óbitos.

A constatação é notável até pelo levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com a série histórica acerca do tema, iniciada em 1990 e tendo sua última atualização em 2009, as cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES), concentram o maior índice de óbitos por suicídio no país. No entanto, é a capital paulista que abriga a maior frequência de casos por 100 mil habitantes. Em 29 anos de análise, a cidade teve um baixo índice apenas em 2004, quando atingiu a taxa de 3,6%/100 mil habitantes. Já a maior taxa se deu nos anos 1996 e 1997, quando atingiu a marca de 5,6%/100 mil habitantes.

Tendo em vista essa realidade, é importante também que, como ação extra da saúde pública, haja uma maior atenção frente aos locais mais procurados para a realização do ato. É interessante que existam políticas públicas que atuem de forma sensata até mesmo no momento crucial.


Cuidado: Locais mais visados

 

Os Tipos

Para entender o suicídio de uma forma mais ampla, é preciso conhecer suas características e os prováveis motivadores, os quais podem ser vários, mas ainda assim, nem sempre identificados. Nesse processo de caracterização do tema, que será desenrolado a partir de agora, o sociólogo Émile Durkheim classificou, em seu livro intitulado O Suicídio, seus principais tipos.

A começar, o sociólogo francês os nomeou da seguinte forma: Suicídio Maníaco, Suicídio Melancólico, Suicídio Obsessivo e o Suicídio Impulsivo ou Automático. Sobre o primeiro, Durkheim o atribui a alucinações ou concepções delirantes. Segundo ele, o que distingue esse tipo de óbito aos outros é sua extrema mobilidade. A pessoa pode entrar no processo de morrência, mas se não conseguiu o resultado esperado, a chamada alucinação passa. O interessante, nesse caso específico, é que se a pessoa for flagrada no exercício da tentativa e for confrontada, o pensamento passa e o indivíduo segue a vida.

O Suicídio Melancólico, segundo Durkheim, está ligado a um estado geral de extrema depressão e tristeza exagerada, que faz com que o indivíduo não aprecie de forma sadia as suas relações. Uma característica marcante dessa categoria é que quem nela está tem alucinações e ideias delirantes fixas. “Os doentes dessa categoria preparam, com calma, seus meios de execução”, explica o sociólogo. Dessa forma, fica clara a constatação de que a maior parte dos casos de óbito de celebridades, os quais foram citados anteriormente e que se enquadram no Efeito Werther, se encaixa nessa categoria.

Já o Suicídio Obsessivo não é causado por nenhum motivo, nem real nem imaginário, mas apenas pela ideia fixa da morte. Os indivíduos que se enquadram na presente categoria ficam obcecados pelo desejo de morrer, ainda que saibam perfeitamente não haver razão para tal. É uma realidade instintiva, por isso, o tipo também já foi chamado de Suicídio Ansioso.

Por fim, o Suicídio Impulsivo ou Automático é aquele que, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, em vez de ser produzido por uma ideia fixa, como é o caso anterior, resulta de um impulso brusco e imediatamente irresistível. “Num piscar de olhos, a ideia surge já desenvolvida e suscita o ato, ou, pelo menos, um início de execução”, explica.

Tipos à parte, o suicídio é algo que pode não apresentar razões ou motivações claras. Por isso, além do lado psicológico do tema, é preciso olhar o âmbito social no qual está imerso. No livro O Suicídio, Durkheim levanta uma série de possibilidades que vão desde hereditariedade, religião, alcoolismo, hora do dia, posição do Sol, temperatura, territorialidade e cultura.

No Brasil especificamente, o atual presidente Jair Bolsonaro tem em mente a ideia de liberar a posse de armas para qualquer pessoa, o que pode estimular o aumento de óbitos por suicídio. Segundo o antropólogo e psicanalista Eduardo Benzatti, a partir do momento em que houver mais armas em circulação, os casos suicidógenos irão aumentar, pois a pessoa morre por suicídio utilizando aquilo que tem de mais letal e de fácil acesso. “A ideia da liberação do porte de armas, principalmente com relação aos transeuntes, é algo que me assusta”, assumiu.

Ainda na visão do antropólogo, além de a população brasileira atravessar a hipótese da liberação de armas, ela possui o bullying como um elemento cultural que alimenta o preconceito na sociedade. Segundo Benzatti, o item prega um determinado padrão de beleza e, se você não se enquadra nele, pode sofrer com a desaprovação. “O culpado nesse processo é a sociedade”, enfatiza.

A fala do antropólogo e psicanalista traz à tona a questão da midiatização do suicídio por meio de séries televisivas, longas-metragens, livros e documentários. Para a especialista Karina Okajima Fukumitsu, a série 13 Reasons Why, por exemplo, tomou forma de documentário e, principalmente no Brasil, expandiu a discussão do suicídio. Mas Karina alerta que a produção não é a que melhor aborda o tema. “Nesses tipos de trabalho, a gente não pode colocar uma visão romantizada e o modus operandi do suicídio porque isso aumenta o estigma”, explica.

O aumento de casos e a preocupação perante os jovens foram os motivadores para a elaboração de Ouvidos Calados, produção que se destaca entre as demais. Dirigido por Mauro Baptistella, o doc busca entender a mente e o pensamento daquele que pensa em morrer por suicídio.

Com duas exibições de estreia em Sorocaba, realizadas nos dias 05 e 06/02, o documentário foi recebido com salas cheias e obteve boa repercussão, com pedidos de exibição por todo o país. “Isso também pode ser um reflexo da necessidade de haver um material que abranja o assunto com responsabilidade”, supôs o diretor. Como um todo, Ouvidos Calados propõe discutir o assunto com respeito às pessoas. “Não existe classe social, gênero, raça, tipo sanguíneo ou qualquer diferenciação entre as pessoas quando se trata de saúde mental”, comentou. “É alarmante e necessária a discussão do tema com responsabilidade”, finalizou Baptistella.

Dessa forma, Mauro Baptistella traz à tona a associação da depressão com o suicídio, algo que também foi muito calcado nos estudos suicidógenos de Émile Durkheim. No entanto, a especialista Karina Okajima Fukumitsu defende que o suicídio é uma morte multifatorial, causada por diversos fatores. “O que a gente precisa entender é que existem, além da depressão, outros transtornos mentais, como transtorno bipolar, quadro de borderline e esquizofrenia, que também podem ocasionar o suicídio”, explicou. Completando a ideia de Karina está a psicóloga clínica Natália de Almeida Pinheiro Goulart, que acredita que a vivência da depressão é como o retorno de um trauma. “Quando estamos vivendo uma depressão, essa situação diz respeito a traumas passados que retornam”, completa.

Apesar de tudo, o que ainda é algo difícil, socialmente falando, é como perceber se uma pessoa está em processo de morrência ou não. Para o especialista Pedro Ferreira, é comum que pessoas com ideação suicida, se perguntadas de forma clara e honesta e se houver uma abertura para conversar a respeito, falem sobre o assunto. “É importante entender que perguntar se a pessoa está pensando em suicídio não é um estímulo à realização do mesmo”, alerta.

Veja abaixo como identificar os sinais deixados por vítimas:

  • Retração Social;
  • Desinteresse com a vida;
  • Mudança abrupta de comportamento;
  • Sinais Diretos: Quando a pessoa fala “Eu quero me matar”, “Eu quero sumir”.
    Sinais Indiretos: Comum em adolescente, quando se fala de forma indireta “Em breve, você não vai mais se preocupar comigo”, “Eu não vou dar mais trabalho”;
  • Desesperança;
  • Hipersensibilidade;
  • Fechamento de pendências;
  • Aproximação religiosa;
  • Transtorno mental vinculada a uma tentativa prévia de suicídio.

 

No Jornalismo

O suicídio no universo jornalístico ainda sofre com o estigma de ser um tabu e vive a realidade do Efeito Werther, ou seja, o receio de, se noticiado, estimule a ocorrência de atos semelhantes. De acordo com o jornalista Antônio Rocha Filho, a orientação, normalmente, é de não publicar notícias sobre suicídios. “Quando isso é feito, é preciso tomar cuidados adicionais, como evitar usar a palavra suicídio ou dizer que a pessoa se matou”, comenta.

A não utilização do termo suicídio, em especial, é uma das orientações até mesmo do Ministério da Saúde para a imprensa. O órgão chegou até a criar um vídeo informativo destrinchando qual a forma consciente de se noticiar o suicídio. Entre as outras sugestões levantadas estão: não dar destaque ao tema na capa dos jornais e nem em títulos grandes, não divulgar o método utilizado, entre outras.

Ainda assim, existem jornais que mantém uma linha editorial voltada ao sensacionalismo e não respeitam os critérios de noticiabilidade por conta da busca pelo maior número de leituras. O interessante, nesse ponto, é o ressurgimento da curiosidade mórbida do espectador, que apresenta interesse em ver os detalhes sórdidos de acontecimentos trágicos, os quais são comumente trazidos pela mídia sensacionalista. Para o jornalista e professor de jornalismo da faculdade ESPM-SP, Jorge Tarquini, a atração pelo horror explica esse fascínio porque nos lembra da nossa condição.

Tarquini explica, ainda, que o tema suicídio não é tão retratado na mídia por ser algo rotineiro. “O suicídio é algo descartável porque todos os dias alguém morre por essa causa. Não dá para ficar requentando a notícia porque não daria leitura”, explica. No entanto, para Filho, ainda existe uma maneira de colocar o tema no agenda setting, que é mostrando quais são as políticas públicas de prevenção ao suicídio e como o tema deve ser tratado pelas famílias e pelas pessoas em geral.

No entanto, quando uma celebridade é morta por suicídio, os jornais em geral costumam noticiar o fato. O DJ Avicii e os músicos Chris Chronell e Chester Bennington são exemplos de personalidade que receberam holofotes duradouros. “O que muitas vezes não se pensa nas redações jornalísticas é que a notícia da morte trágica de uma celebridade por suicídio pode ter um efeito tão ou mais devastador sobre a personalidade de pessoas com tendências suicidas”, comenta Filho. Contudo, para o sociólogo francês Émile Durkheim, o que pode contribuir para o desenvolvimento do suicídio ou do assassinato não é o fato de falar deles, é a maneira como se fala.

Outros dados

Como o suicídio é um fenômeno multifacetado, ele pode atingir indivíduos de diversas raças, origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Nesse sentido, são os idosos que têm gerado preocupação, pois de acordo com levantamento do Ministério da Saúde feito em 2018, nos últimos seis anos, a faixa etária dos 70 anos teve registrada uma média de 8,9 mortes por 100 mil habitantes.

Uma das causas que levam os idosos a morrerem por suicídio, segundo a especialista Karina Okajima Fukumitsu, é a improdutividade e, na outra face, o oferecimento de pesos. Outro fator importante é a travessia pelos mais diversos processos de luto, como a morte dos amigos e restrições de saúde, por exemplo. “Nesses momentos principais de crises, a gente pode compreender que o suicídio aparece como uma das possibilidades porque a pessoa está em intenso sofrimento, inclusive para lidar com tais restrições”, explica.

Outro dado importante a ser levado em conta é o suicídio em índios. De acordo com o boletim de 2018 do Ministério da Saúde, na comparação entre raça e cor, a maior incidência está na população indígena. Nessa parcela populacional, a taxa de mortalidade é de 15,2%/100 mil habitantes, enquanto na população branca, o índice é de 5,9%/100 mil habitantes. Ou seja, a taxa de mortalidade por suicídio nos índios é quase três vezes maior do que aquela apresentada na população branca.

Um exemplo prático dessa amostragem é o que vem acontecendo com os índios Karajás, no estado do Mato Grosso (MT). De acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados 35 casos de suicídio de 2012 a 2016. A maioria executada por meninos de 11 a 25 anos. Além disso, um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo constatou que, em 2017, foram notados oito casos de suicídio e dezenas de tentativas.

Em uma reportagem realizada em 2018 pela TV Folha, o cacique Iwraru Karajá afirmou que a bebida alcoólica, drogas e desemprego podem ter sido motivadores para as ocorrências de óbito por suicídio. O joal também ouviu o promotor de justiça de São Felix do Araguaia (MT), Emanuel Filartiga Escalante Ribeiro, que completou dizendo que a dificuldade em lidar com frustrações também pode ser atribuída ao alto índice de casos. E é exatamente isso que pensa o antropólogo e psicanalista Eduardo Benzatti. “Hoje a gente tem uma juventude muito inquieta, pouco formada na ideia da resiliência e de um maior grau de tolerância. Isso ainda é universal como um dos fatores de estimulo de suicídio”, comenta.

Entretenimento 

O universo do entretenimento pode abordar, sim, coisas fúteis como fofocas sobre celebridades. Os veículos do ramo podem falar sobre temas leves como viagens ou criar guias de locais interessantes para se visitar. Mas existem aqueles que, além de criarem materiais suaves, fazem conteúdos de serviço à sociedade. É o caso do ato feito pela revista de cultura e entretenimento Rolling Stone, que em 05/04/19, data que marca os 25 anos da morte do ex-frontman e guitarrista do Nirvana, Kurt Cobain, criou o projeto Algoritmo da Vida.

De acordo com um vídeo postado no seu canal oficial do YouTube, o periódico descreve o programa como sendo um produto capaz de rastrear posts públicos no Twitter que contenham palavras que indiquem que a pessoa está em processo de morrência. Assim que a publicação é identificada, uma mensagem privada é enviada sugerindo a realização de uma ligação ao Centro de Valorização da Vida (CVV). “O suicídio é problema de saúde pública sim!”, enfatiza o jornalista e professor de jornalismo da faculdade ESPM-SP, Jorge Tarquini.

Fora esse caso particular da revista Rolling Stone, existe uma série de músicas que aborda temas ligados ao suicídio e que ajuda, de alguma forma, a identificar os sinais que as pessoas com ideação suicida podem deixar. Abaixo foram selecionadas algumas composições que ilustram bem esse cenário:




Se pensar, ligue!

  • 192 para atendimento móvel de urgência;
  • 192 para o Corpo de Bombeiros;
  • 188 para o Centro de Valorização da Vida (CVV).*

* Desde 01/07/2018, as ligações endereçadas ao CVV são gratuitas para todos os estados brasileiros. 

“É sempre importante falar sobre os temas tabu e sobre as dores humanas. Precisamos levar a vida emocional a sério, mas sempre no intuito de ofertar alternativas e caminhos de ajuda”, finaliza a psicóloga clínica, Natália de Almeida Pinheiro Goulart.